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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Onde andará a menina?



Foi-se, como chuva de verão que velozmente refresca e destrói. Não se foi inteiramente, era como se nuvens pesadas ainda permanecessem no céu, esperando tocar o solo da terra a qualquer sopro de vento.
Eram duas. Uma, de corpo, que já não se encontrava mais ali. Outra, de alma, consciente de sua capacidade de se fazer presente.
Duas décadas de raízes e vertigens que subiam até a sua cabeça não foram o bastante para evitar o inevitável. Sempre soube que seria assim. Havia diversos chamados, alguns transcedentais, outros muito lógicos, até que o sonho se tornou real.
Quando se deu conta, havia ido.
A cada escolha, uma renúncia, diziam. Escolheu o sonho e se renunciou.
Carregava este peso nos seus ombros mas era, afinal, forte.
Calma, amada... Respire fundo que o vento está a beijar seu rosto. Sorria que a liberdade está ao seu lado. Você conversa com ela, a liberdade, ela é a sua companheira, ela é a sua amiga e mulher.
Sua mulher.
Foi-se, a menina...

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